A estratégia bolsonarista e o homem-bomba Anderson Torres

Por enquanto, a estratégia do Bolsonarismo de adiar o máximo possível o depoimento do ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, está sendo bem-sucedida. Bolsonaro e seus aliados querem ter a certeza de que Torres não vai se transformar num “homem-bomba”. E enquanto a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito-CPMI vai gastando tempo com figuras menores, enviados de Bolsonaro tentam negociar com Torres. Não é uma tarefa fácil. Mas o presidente da CPMI, Arthur Maia (União-BA) está lá para isso mesmo. Ou seja, emperrar, complicar e confundir as investigações. Tudo dentro do regulamento. Pressionada por ele e para desânimo geral, a relatora da comissão que investiga os atos golpistas de oito de janeiro, a senadora Eliziane Gama (PSD-MA), decidiu fazer uma volta ao passado e iniciar as convocações com o ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques. O depoimento será na próxima terça-feira (20/06). Vasques é suspeito de montar operações de bloqueio no Nordeste, no segundo turno da eleição, para impedir que os eleitores do presidente Lula chegassem aos postos de votação. Algo que, a rigor, não tem nenhuma relação com os distúrbios em Brasília e o vandalismo perpetrado contra os símbolos dos três poderes. Enquanto Silvinei tenta explicar o inexplicável, emissários do ex-presidente fazem o possível para que Anderson Torres recupere o equilíbrio emocional e aceite um destino nada promissor, sem dividir responsabilidades. Tem tudo para dar errado. Mas sonhar não custa nada.

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