Espírito de corpo ou de porco

Pouca gente percebeu, afinal vivemos num país que dá pouca importância a certos detalhes, mesmo quando são importantes, mas a decisão de punir o coronel do Exército Jean Lawand Junior é uma boa nova numa instituição em que laços de lealdade vão se fortalecendo desde a infância ou adolescência, nas escolas militares. Nas Forças Armadas a expressão “cortar na carne” faz muito sentido, mas como sabemos, na maioria dos casos, não se corta nada e a “camaradagem da caserna” vai livrando a cara dos infratores. O coronel Jean Lawand, flagrado pela Polícia Federal em uma troca de mensagens com o tenente-coronel Mauro Cid sobre um golpe para a tomada autoritária de poder, fora indicado para um dos postos mais desejados pelos militares, adido militar em Washington, nos Estados Unidos. Mas vai perder os dólares e as mordomias do cargo. Não deixa de ser um bom sinal. Sobre o caso, o Exército, em nota, garantiu que “eventuais condutas individuais julgadas irregulares serão tratadas no âmbito judicial, observando o devido processo legal”. E que “prima sempre pela legalidade e pelo respeito aos preceitos constitucionais” e que opiniões e comentários pessoais “não representam o pensamento da cadeia de comando”. Muito bem. Por enquanto ficamos assim.

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