Graças à Revista Veja ficamos sabendo que o coronel Jean Lawand, logo após as eleições presidenciais, quando desempenhava o estratégico cargo de vice-chefe do Estado-Maior do Exército, procurou o ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro para propor um golpe: “Pelo amor de Deus, Cidão. Pelo amor de Deus, faz alguma coisa, cara. Convence ele a fazer. Ele não pode recuar agora. Ele não tem nada a perder. Ele vai ser preso. O presidente vai ser preso. E, pior, na Papuda, cara”, disse o coronel a Cid, em dezembro de 2022”. A crueza das frases e a clara intenção do coronel facilitaram a vida do ministro da Defesa José Múcio, que imaginava um difícil diálogo com o comandante do Exército, general Tomás Paiva. O presidente Lula estava nos calcanhares de Múcio, que é tido entre os amigos como um conciliador inveterado e que, apesar do cargo, não quer polêmicas com as Forças Armadas. Mas ao que tudo indica, o general, um militar da ala dos chamados profissionais, que segue os manuais e não a política, já estava convencido da gravidade das falas de Lawand e que não lhe restava outro caminho que não punir o coronel com a perda do posto nos EUA. Procurado pela Veja, Lawand disse que conversava com Cid apenas sobre amenidades e que não lembra de nenhum diálogo golpista.