A bem da verdade, não fosse a vice-procuradora-geral da República, Lindôra Araújo, extremamente conservadora e bolsonarista de quatro costados, algumas das questões levantadas por ela num documento sigiloso, com críticas ao ministro do STF Alexandre de Moraes, revelado pela revista Veja, no último fim de semana, mereceriam pelo menos uma discussão técnica à luz da boa técnica jurídica. No entanto, a maioria das críticas que ela faz ao ministro não passam de uma defesa, sem subterfúgios, dos aliados golpistas de Bolsonaro. Um comportamento pouco adequado para uma vice-procuradora da República. Aliás, se consumada a tragédia de um segundo mandato de Jair Bolsonaro, Lindôra Araújo certamente ocuparia um papel de destaque. Efetivamente foi mais funcional, mais combativa, dedicada, convicta e empenhada em defender Bolsonaro e suas causas impossíveis do que o próprio procurador titular, Augusto Aras, que mesmo assim foi um defensor abnegado do ex-presidente da República. O vazamento do documento, naturalmente, coloca Lindôra em rota de colisão com Moraes. Em alta em todas as instâncias políticas, o ministro do STF aparentemente leva vantagem nessa briga.