Alexandre de Moraes, o matador 

Quem diria? Visto com desconfiança por “gregos e troianos” quando da sua indicação para o STF, em 2017, pelo ex-presidente Michel Temer, para substituir Teori Zavascki, o ministro Alexandre de Moraes, com a inelegibilidade de Jair Bolsonaro, se consolidou como ídolo da esquerda. E não só da esquerda. É uma trajetória surpreendente. De defensor do PCC a paladino da Democracia. É cá para nós, é um reconhecimento merecido. Um dos responsáveis por conter a onda de ilegalidade, violência, irresponsabilidade, reacionarismo e espírito golpista do governo Bolsonaro e sua trupe, o ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, não fugiu à luta quando exigido, ocupando um precioso espaço vago. É bom reconhecer que algumas de suas decisões ou determinações dariam margem a uma ampla discussão jurídica, se levássemos em conta apenas os aspectos técnicos e processuais. Mas o buraco sempre foi mais embaixo. Tratava-se de defender a Democracia. Tecnicistas atirem a primeira pedra. Mas é impossível abstrair a questão política ao julgar um personagem como Jair Bolsonaro. Moraes pode não ter sido exatamente um modelo herói, mas quando a situação exigiu ele estava lá. Futuramente a História vai lhe fazer justiça.

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