A estratégia do general Freire Gomes, que comandou o Exército em 2022, é simples. Ele sabe que seu comportamento durante a conspiração pode ser interpretado como omissão. Antes do depoimento, a Polícia Federal entendia que Freire Gomes teve papel importante ao evitar que as tropas do Exército fossem utilizadas numa aventura golpista; mas que ele ainda precisava explicar porque não denunciou o que estava sendo tramado dentro do governo. Entregando Bolsonaro e sua malta, o general ganha a simpatia da opinião pública que, no Brasil, adora “passar pano” e seguir em frente. Até agora a estratégia está funcionando. Nove entre dez colunistas políticos, impressionados com a duração do depoimento, exaltaram a coragem do general e o fato de ter escolhido o lado da Constituição e do Estado Democrático de Direito. O general, ouvido na condição de testemunha, sabia que era obrigado a falar a verdade. E que qualquer deslize teria sérias consequências.