O governo Lula parece demonstrar uma desconcertante incoerência na forma como lida com diferentes tipos de escândalos. Enquanto acusações de assédio são tratadas com seriedade e medidas imediatas, denúncias de corrupção, envolvendo figuras de alto escalão, seguem praticamente ignoradas ou minimizadas. Um exemplo claro dessa dualidade é o indiciamento do ministro das Comunicações, Juscelino Filho, pela Polícia Federal, acusado de integrar uma organização criminosa e praticar corrupção passiva. Apesar da gravidade das acusações, o ministro permanece em seu cargo, com pouca repercussão ou ação decisiva por parte do governo. Esse contraste fica ainda mais evidente em episódios como o do ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, cujas acusações de assédio, mesmo desprovidas de provas e partindo de uma ONG envolvida em operações suspeitas dentro do ministério, geraram muito mais reações do governo do que qualquer outra questão de sua gestão.