É verdade que em outros contextos históricos o Brasil se beneficiou da indústria externa, que saiu de uma Europa em guerra e se instalou na vida urbana recém-inaugurada por aqui no início do século XX, mas tal processo só foi possível por uma reorganização externa que se casou com uma confluência interna: O Brasil fez um projeto de si, se urbanizou, modernizou sua malha, suas leis, sua estrutura e se envolveu com as demandas modernas do século XX. Nada disso é verdade agora. A infraestrutura, salvo algumas melhoras pontuais, não difere de 20 anos atrás. Os níveis de educação e qualificação pararam no tempo há 40 anos. As leis que regem o trabalho são as mesmas da década de 50. O robusto campo industrial não prosperou, definhou: o Brasil está em espiral negativa de desindustrialização desde a década de 80, fenômeno que o deixa, já de largada, em desvantagem comparativa com relação a profissionais qualificados, bens modernos e capacidade de pesquisa. Esses campos andaram a passos lentos por aqui nas últimas décadas. Stephan Zweig, escritor austríaco que fugiu do holocausto para o Brasil nos anos 30, escreveu que aqui seria o “País do futuro”. O futuro de Zweig já é passado há pelo menos 50 anos. Os brasileiros são os únicos que ainda não sabem. Não há alternativa para o mundo hoje fora da Ásia.