É mais do que sabido que o tenente-brigadeiro do ar, Carlos de Almeida Baptista Junior, comandante da Aeronáutica durante o governo Bolsonaro, não embarcou na aventura golpista. E a exemplo do general Freire Gomes, respondeu a todas as perguntas dos rapazes e moças da Polícia Federal, com riqueza de detalhes. E mais do que sabido também que o general Braga Netto cuspiu fogo quando soube da colaboração do tenente-brigadeiro com as investigações. E já tinha se manifestado rispidamente quando Baptista Jr. tirou o corpo da conspiração, “traidor da pátria”. Que pátria seria essa? Depois do já famoso depoimento, Baptista Jr. Mandou um recado por uma rede social, “Já tendo passado dos 60 anos, não tenho mais o direito de me iludir com o ser humano, nem mesmo aqueles que julgava amigos e foram derrotados pelas suas ambições”. Comenta-se no meio militar que foi um erro da malta bolsonarista-golpista convidar Baptista Jr. para o golpe. Ele é filho do tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista, que comandou a Aeronáutica entre 1999 e 2003, no governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), considerado discreto e legalista enquanto esteve na ativa.
As razões do tenente-brigadeiro Baptista Júnior II
A decepção de Braga Netto com Baptista Jr, no entanto, não é descabida. Apesar de ter ficado ao lado da legalidade, Baptista Jr era tido, por muitos, como bolsonarista de carteirinha; devido à forma como ascendeu ao cargo de comandante da Aeronáutica. Foi escolhido pessoalmente por Braga Netto, na época ministro da Defesa. E chegou ao governo em meio a uma crise. O ex-presidente Jair Bolsonaro demitiu todos os comandantes militares, em março de 2019, porque, supostamente, não comungavam com as sandices do ex-presidente, em relação às Forças Armadas, que Bolsonaro chamava de “minhas forças armadas”. Foram detonados, então, Edson Leal Pujol, do Exército; Ilques Barbosa Júnior, da Marinha; e Carlos Moretti Bermudez, da Aeronáutica. Baptista Júnior chegou ao poder na mesma leva que Paulo Sérgio. Nogueira, no Exército; e Almir Garnier, na Marinha, dois rematados golpistas.
Sobre militares e golpes
Em novembro de 2021, a chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, general Laura Richardson, a primeira mulher a comandar a divisão, ou Southcom, responsável por atuar na América do Sul, Central e no Caribe; veio ao Brasil e se encontrou com o então ministro da Defesa, general Braga Netto. Ela reuniu-se ainda com o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, general Laerte de Souza Santos; com os comandantes da Marinha, Almirante Almir Garnier Santos; e do Exército, General de Exército Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira. E foi aí que muitos, que hoje se dizem defensores da Constituição e do Estado Democrático de Direito, pularam do golpe. Segundo fontes militares, Richardson disse, muito delicadamente, e em linguagem diplomática; que os EUA não patrocinariam nenhuma ruptura da ordem, como fez em 1964, com a operação Brother Sam. Os mais espertos e com domínio do inglês entenderam perfeitamente do que se tratava; saíram de fininho e nunca mais tocaram no assunto. Mas aquela turma que conhecemos não entendeu o recado. E deu no que deu.
Sobre militares e golpes II
Em maio do ano passado, questionada por jornalistas brasileiros, Richardson negou que militares brasileiros tivessem tratado o tema golpe com ela, “Absolutamente, não. Eles não pediram nenhum tipo de suporte. Nós não discutimos nada político”. O que poderia responder uma alta patente militar estrangeira a uma pergunta desse tipo? Cartas para a Redação.
O Novo EMIR Tupiniquim
O Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, é tido nos corredores de Brasília como o novo EMIR Brasileiro (Confundido os interesses do Estado Brasileiro com os interesses pessoais). Quem tem o representado nesta embaixada é o ex-presidente da OAB Nacional, o advogado Marcus Vinícius Furtado.
Os petrodólares só querem clubes de Rio e São Paulo
O Ministério dos Investimentos da Arabia Saudita afirma que a ideia é comprar um clube de futebol no Brasil para projetar o país que receberá a copa do mundo em 2034. Os Árabes estão interessados apenas em times de São Paulo e Rio de Janeiro, que, segundo eles, oferecem maior visibilidade. O Brasil deverá liderar a retomada do mercado de fusões e aquisições de empresas entre os países estrangeiros. Rio e São Paulo têm os clubes mais poderosos do país.
Arrancando em Interlagos
Um leitor atento desta coluna avisa que o vice poderoso é, sim, o dono da mansão em Interlagos, condomínio pole position em luxo da Linha Verde na Bahia. O filho é apenas um co-piloto. Há quem diga no paraíso dos endinheirados que a ‘dacha’ está, inclusive, na conta de uma empresa. Estamos checando. Mas o que assustou mesmo os condôminos logo após o carnaval foi a chegada do ex-vereador. Acompanhado de um batalhão de enormes seguranças, ele parou a rua. Deixou boquiaberto até um grande publicitário vizinho dos novos-ricos. Nem Senna tinha tanta soberba…
Contagem regressiva
Faltam apenas seis dias. É no dia 15, às 10 horas, o leilão da prefeitura de Salvador para vender o terreno da encosta da Vitória, que fica em área de proteção permanente (APP). O imóvel público que foi desafetado para ser vendido a poderosos políticos e empresários teve a “recomendação” do Ministério Público (MP) para que fosse retirado do leilão. O prefeito Bruno Reis, no entanto, faz ouvido de mercador aos fundamentados argumentos do MP e atende ao interesse dos neo-incorporadores que já contabilizam os milhões de reais a embolsar com a venda dos apartamentos da mega luxuosa torre de 50 andares que planejam construir no local. Os felizardos amigos do Reis são o ex-prefeito ACM Neto, o empresário Grilão João Gualberto, o marqueteiro de Lula, Sidônio Palmeira, o pecuarista Thiago Coelho e a antiga Odebrecht.
Coeficiente zero
A venda do terreno da encosta da Vitória numa área de proteção permanente (APP) para o poderoso grupo de neo-incorporadores suscita muitos questionamentos de ordem legal. Juristas especializados em direito imobiliário observam que, por estar em uma APP, no terreno nada pode ser edificado. Portanto, o seu coeficiente de utilização é zero. Assim sendo, segundo os especialistas, o terreno da APP da Vitória não poderia potencializar o coeficiente de utilização da área privada onde os neo-incorporadores pretendem construir o mega luxuoso empreendimento.
Trocando em miúdos
Vamos trocar em miúdos a esperteza dos neo-incorporadores. Os imóveis comprados por eles na Rua Dr. Chrysippo de Aguiar, na Vitória, somam menos de dois mil metros quadrados. Nele só pode ser construída uma torre com no máximo 15 andares. É o que permite o coeficiente de utilização do local: edificar três vezes o tamanho do terreno. O golpe de mestre é arrematar no leilão os 6.699 metros quadrados do terreno da APP, somá-los aos outros já comprados, e ter o direito de erguer o empreendimento de 50 andares. A questão é: uma APP de coeficiente zero de utilização pode servir a isso? Com a palavra os magistrados.
Namorado de apresentadora da CNN quer substituir Campos Neto
O diretor de política monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo, quer substituir Campos Neto na presidência do Banco Central. Ele namora, hoje, a principal apresentadora da CNN.
Dia 16, Zé Dirceu comemora aniversário com um detalhe
No próximo dia 16, o todo-poderoso do PT, o ex-ministro José Dirceu, completa aniversário. Há uma curiosidade: nesse mesmo dia, se vivo estivesse, o deputado federal Luís Eduardo Magalhães também faria aniversário. Zé Dirceu tinha uma ótima relação com o ex-deputado federal baiano.