E cocaína da Igreja? Que fim levou? 

O silêncio é assustador. Quando o avião foi interceptado pela Polícia Federal, com 290 quilos de Skunk, uma versão mais poderosa da maconha, no fim do mês de maio, o jornal O Globo informou que a aeronave pertencia à Igreja Quadrangular do Pará. O presidente do conselho estadual da Quadrangular e tio da senadora Damares Alves (Republicanos-DF) é o ex-deputado federal Josué Bengston. Pastor evangélico filiado ao PTB, Bengston é padrinho político da senadora, e esteve na Câmara dos Deputados por quatro mandatos, entre 1999 e 2007, 2011 e 2018. Antes de brilhar nas hostes bolsonaristas, a senadora Damares Alves foi assessora parlamentar no gabinete do tio. Integrante do chamado “Baixo Clero”, o deputado-pastor teve o mandato cassado pela Justiça Eleitoral em 2018, após investigação do Ministério Público Federal, que o denunciou por enriquecimento ilícito e desvio de recursos da Saúde do Pará. Agora, o tio da senadora voltou aos holofotes, com a apreensão dos 290 kg de maconha aditivada. Mas, surpreendentemente, o caso se esvaiu em pouco tempo. Não houve investigações jornalísticas e a PF, como se sabe, pode trabalhar em silêncio quando quer. As perguntas estão sem resposta. De quem era a droga? Como seria possível transportar drogas em um avião da igreja? Quem era o responsável pelo transporte? Qual era a participação do piloto?

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