Já que é real a possibilidade de ser recebido por protestos por onde passe, o presidente Lula tem priorizado o circuito “Oropa, França e Bahia”, não por acaso o mesmo do dote dado ao personagem Macunaíma, de Mário de Andrade. Ao longo de sua carreira política, Lula chegou a ser comparado ao herói sem caráter criado pelo escritor modernista, uma espécie de predestinado que deixou a fome para trás, subiu na vida e acostumou-se a dar lições de astúcia aos brasileiros.
Passou do ponto
A revoada de agentes dos três Poderes do Estado brasileiro para discutirem temas nacionais em cidades do exterior, como Nova York, Londres e Lisboa, já ultrapassou o limite do razoável. Ninguém ouve falar de membros do governo, legislativo ou judiciário dos Estados Unidos, Grã-Bretanha ou mesmo Portugal irem dissertar publicamente sobre assuntos internos dos seus países em qualquer cidade do estrangeiro. Esses eventos que se tornaram rotineiros na agenda do poder são, na verdade, exibições do mais puro provincianismo misturado com lobby político. O mais grave é saber que os convites a autoridades brasileiras partem de organizações empresariais ou faculdades privadas ligadas a integrantes do poder público, o que pode muito bem configurar conflitos de interesses. Sempre acompanhados de hospedagem em hotéis de luxo e coquetéis, almoços e jantares em restaurantes com estrela Michelin, os convites terminam por onerar o Estado brasileiro, a quem cabe pagar pelas diárias dos seus servidores em temporadas de recreio mais do que duvidosas.
Não é preciso ter vergonha
Não há nada de mal em alguém com projeção política defender publicamente interesses privados ou setoriais, mesmo que seja um ex-presidente da República. Mas é preciso que isto fique claro até mesmo para que a imprensa possa chamar o expediente pelo nome correto – lobby político – em lugar de utilizar eufemismos de ocasião. Só assim se entende com clareza o papel que o ex-presidente Michel Temer está a desempenhar junto a deputados e senadores, em nome dos interesses do Google no PL das Fake News.
Bethânia é imbatível
Num show, ontem, em Salvador, a extraordinária intérprete brasileira foi enfática: “Inelegível! Oito anos, viva o Brasil”. O público delirou com ela cantando a música Cálice. Sacudiu a Bahia, ontem, a extraordinária intérprete brasileira.
Ecad destrói turismo na Bahia
O estado mais musical do Brasil tem seu turismo duramente castigado pelo Ecad cobrando direitos autorais dos bares, restaurantes, lanchonetes, pousadas, hotéis e demais estabelecimentos. Para se ter ideia, em Porto Seguro o prejuízo é incalculável. A cobrança dos criminosos direitos autorais está destruindo o turismo da Bahia. É preciso que a justiça impeça a tal destruição.
Dá-lhe Jandira
Ainda repercute em Brasília, no meio político, a “enquadrada” que a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) deu no coronel Jean Lawand Junior. Para começar, o acusou de tratar deputados e senadores como idiotas, com mentiras e platitudes, “O senhor está se comportando como se não fôssemos pessoas inteligentes. Nós não podemos engolir a sua versão”. Mais de um parlamentar comentou que Jandira fez as perguntas que muitos queriam fazer na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito-CPMI, que investiga os atos golpistas de oito de janeiro. A intervenção da deputada carioca foi tão incisiva que até parlamentares bolsonaristas concordaram que o interrogado estava subestimando a inteligência dos integrantes da comissão. Jandira Feghali afirmou também que Lawand tinha o direito de omitir, mas não de mentir. Ela ironizou o fato dele dizer que escreveu as mensagens “no calor da emoção”. “Esse calor da emoção durou de 30 de novembro a 21 de dezembro. Haja emoção! Sete mensagens a cada 15 minutos”. Para quem circula na Câmara, o desempenho da deputada carioca não é novidade. Não por acaso, Jandira Feghali tem uma carreira longa e bem-sucedida. Foi deputada estadual no Rio de Janeiro, de 1987 a 1991. E desde 1990 se elege deputada federal. É um dos nomes mais respeitados do campo da esquerda. E, apesar de sondagens e convites discretos, mantém-se fiel ao PCdoB.
Alexandre de Moraes, o matador
Quem diria? Visto com desconfiança por “gregos e troianos” quando da sua indicação para o STF, em 2017, pelo ex-presidente Michel Temer, para substituir Teori Zavascki, o ministro Alexandre de Moraes, com a inelegibilidade de Jair Bolsonaro, se consolidou como ídolo da esquerda. E não só da esquerda. É uma trajetória surpreendente. De defensor do PCC a paladino da Democracia. É cá para nós, é um reconhecimento merecido. Um dos responsáveis por conter a onda de ilegalidade, violência, irresponsabilidade, reacionarismo e espírito golpista do governo Bolsonaro e sua trupe, o ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, não fugiu à luta quando exigido, ocupando um precioso espaço vago. É bom reconhecer que algumas de suas decisões ou determinações dariam margem a uma ampla discussão jurídica, se levássemos em conta apenas os aspectos técnicos e processuais. Mas o buraco sempre foi mais embaixo. Tratava-se de defender a Democracia. Tecnicistas atirem a primeira pedra. Mas é impossível abstrair a questão política ao julgar um personagem como Jair Bolsonaro. Moraes pode não ter sido exatamente um modelo herói, mas quando a situação exigiu ele estava lá. Futuramente a História vai lhe fazer justiça.
Lindôra e a necessidade de um recuo estratégico
A bem da verdade, não fosse a vice-procuradora-geral da República, Lindôra Araújo, extremamente conservadora e bolsonarista de quatro costados, algumas das questões levantadas por ela num documento sigiloso, com críticas ao ministro do STF Alexandre de Moraes, revelado pela revista Veja, no último fim de semana, mereceriam pelo menos uma discussão técnica à luz da boa técnica jurídica. No entanto, a maioria das críticas que ela faz ao ministro não passam de uma defesa, sem subterfúgios, dos aliados golpistas de Bolsonaro. Um comportamento pouco adequado para uma vice-procuradora da República. Aliás, se consumada a tragédia de um segundo mandato de Jair Bolsonaro, Lindôra Araújo certamente ocuparia um papel de destaque. Efetivamente foi mais funcional, mais combativa, dedicada, convicta e empenhada em defender Bolsonaro e suas causas impossíveis do que o próprio procurador titular, Augusto Aras, que mesmo assim foi um defensor abnegado do ex-presidente da República. O vazamento do documento, naturalmente, coloca Lindôra em rota de colisão com Moraes. Em alta em todas as instâncias políticas, o ministro do STF aparentemente leva vantagem nessa briga.
Jovem de 17 anos é morto pela polícia e a França se rebela
Centenas de pessoas ganharam as ruas de Nanterre, na área metropolitana de Paris, no sábado (01/07) para acompanhar o funeral do jovem, de origem argelina, Nael Merzouk, de 17 anos. Ele foi morto a tiros pela polícia francesa, na terça-feira. O funeral foi marcado pela tensão. Uma multidão acompanhou a cerimônia religiosa, do lado de fora da Grande Mesquita Ibn Badis, em Nanterre. Quarenta e cinco mil policiais foram mobilizados. Desde terça-feira foram realizadas várias manifestações de protesto, algumas violentas. Só na noite de sexta-feira (30/06) mais de 1.300 pessoas foram presas. Na quinta-feira (29), dia de maior tensão, foram detidas 875 pessoas, 249 agentes foram feridos, 492 prédios foram atacados e 2.000 veículos incendiados. Os protestos, espalhados por todo o país, concentram as críticas na atuação policial, que é considerada extremamente violenta. “O Estado mata”, “A polícia mata” ou “Justiça para Nahel” são os cartazes mais comuns.
A batalha de Bolsonaro e aliados no TSE vai ser longa
Jair Bolsonaro e seus aliados devem se preparar para novas derrotas. Além da ação que o tornou inelegível por oito anos, existem outras quinze tramitando. As discussões travadas no TSE sobre a disseminação de notícias falsas e ataques ao sistema eleitoral brasileiro caminham na mesma direção, a responsabilidade do ex-presidente. Pelo menos duas ações contra Bolsonaro no TSE tratam do mesmo tema. Em uma delas, Bolsonaro é acusado de atacar o sistema eleitoral. Ele também responde por disseminar fake news. Nas duas ações tem a companhia de bolsonaristas de relevo como as deputadas Bia Kicis e Carla Zambelli; os ex-ministros Mário Frias e Ricardo Salles; o general Braga Netto e os filhos, Eduardo, Flávio e Carlos. Nessas duas ações, o relator é o ministro Benedito Gonçalves, que pretende colocar em pauta ações até novembro, quando deixa de ser relator. Bolsonaro já está inelegível, mas a punição pode ser aplicada às outras pessoas incluídas nas ações.
Ciro pelo PP e Antônio Rueda pelo UB. Aliança para um candidato à sucessão presidencial
A Federação que Rueda do UB e Ciro Nogueira do PP querem fazer é para isolar Luciano Bivar e fortalecer o presidente da Câmara, Arthur Lira, e o líder do UB, o baiano Elmar Nascimento. Eles querem encontrar um candidato para a sucessão presidencial.
Os artistas comemoram o fim do pesadelo bolsonarista
A maioria finge que não está nem aí. Afinal, artistas muito populares sabem que seus comentários têm uma repercussão imensa. E muitos contam também, entre seus fãs, com conservadores e até mesmo bolsonaristas. Mas é impossível não perceber, no meio artístico, as comemorações e o clima festivo depois de confirmada a inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro. O clima é de celebração. Músicos, atores, cineastas, artistas plásticos e até mesmo o pessoal do Circo. Abraços, cumprimentos, frases ao pé do ouvido, comentários, até lágrimas. E muito movimento nas redes sociais. Vamos combinar, é muito merecido. Bolsonaro desenvolveu uma verdadeira guerra contra a Arte; com exceção dos Sertanejos, que o apoiaram até o final. O ex-presidente, com sua visão moralista, preconceituosa e limitada, nunca escondeu o seu ódio aos artistas que não rezavam pela cartilha do Bolsonarismo. Ou seja, a maioria. Transformou o Ministério, ou melhor, a Secretaria da Cultura; num “puxadinho”, comandada por um ator medíocre e sem currículo, que se notabilizou por perseguir e ofender artistas, além de posar frequentemente com armas. Bolsonaro e Mário Frias atacaram com especial crueldade a Agência Nacional do Cinema-ANCINE, um projeto bem-sucedido de autofinanciamento completamente destruído.